Marinheiro

Meus olhos acordaram cansados.


Minha cabeça novamente parece trabalhar contra mim.


Seu rosto surge em flashes e a cada intervalo meu sentimento fica mais distorcido. Eu quero partir na mesma intensidade que desejo ficar.


Sua loucura involvente me abraçou e você foi embora.


Remédio para isso? Um beijo ou algumas doses.


A segunda alternativa é mais fácil. A distância do sofá até a geladeira é pequena. Mas só quem já foi abandonado algumas vezes sabe o que se passa nessa trajetória.


Me levanto, passo a mão na barba por fazer e dou um longo suspiro. Pois é, lá vou eu de novo.


Dizem que mar calmo nunca fez bom marinheiro. Discordo. Estou nesse mar a tanto tempo, tampando os buracos do casco, buscando um vento seguro e sobrevivendo às tempestades.


Talvez eu não seja o marinheiro, por certo eu seja a âncora. Esse peso enorme peso, que se amarra em quem se aproxima e não deixa ninguém alçar voo.


Durante um tempo ela me ofereceu uma ilha na qual acreditei poder, junto, construir uma casa.


Claro que era ilusão. A insolação deve ter me deixado maluco novamente. O sol era você.


E a bebida na geladeira? Está gelada. Pelo menos isso.