Você

Conheci uma mulher incrível. Cheia de pensamentos sobre independência, relação com a mãe natureza e, o que mais me tocou, a maneira de se relacionar com as pessoas. De certo modo, ela sabia velejar pela vida.

Vejo que nas relações humanas cada ser tem seu próprio oceano e barco. Em alguns momentos nossas águas podem se encontrar e se misturar. Em algumas ocasiões, somos surpreendidos por ondas que se escondiam na superfície da outra pessoa, como tsunamis.

A luta para que o barco não afunde é diária. Ninguém quer morrer afogado. Entendo quem busca velejar sozinho.

Certo dia, em um desses encontros, minhas águas foram invadidas. Eu não esperava. Não mesmo. Mas essas águas trouxeram um certo calor às minhas águas geladas. A temperatura ficou agradável. Pela primeira vez tive vontade de mergulhar novamente.

Tive medo. Por mais que, agora, sentisse segurança de explorar, resolvi esperar alguns dias. Aprendi que nesses encontros o clima pode mudar muito rápido e, que após o mergulho, posso voltar e não encontrar mais meu barco.

Continuei na segurança do meu barco. O tempo foi passando e a temperatura das águas diminuindo. O clima ficou nublado. A chuva apareceu. As águas ficaram agitadas.

A imagem da barco da mulher que conheci começou a diminuir no horizonte. Ela tinha desistido. Estava indo embora e levando seu oceano junto.

Fiquei só novamente, velejando conforme a vontade dos ventos. As águas voltaram a ser gélidas.

Gostaria de ter arriscado o mergulho, mesmo que pudesse morrer afogado.